Tintas
Touriga Nacional
A fama dos vinhos do Dão é devida, em boa parte, a esta casta, que, no passado, antes da crise filoxérica, era dominante nos vinhedos da região. Constitui, assim, a casta mais nobre entre as tintas.É uma casta de pouca produção, possui cachos abundantes, mas pequenos. Os bagos têm uma elevada concentração de açúcar, cor e aromas.
Os vinhos obtidos são geralmente complexos e de qualidade muito elevada, apresentando grande intensidade das componentes da cor e aroma, geralmente redondo e macio lembrando frutos silvestres maduros; apresentam também uma elevada capacidade para o envelhecimento, particularmente em madeira.
Alfrocheiro
É na região do Dão que a casta Alfrocheiro tem maior expressão. Presente em muitos dos vinhos da região, é considerada uma casta de elevada qualidade por vários enólogos.Caracteriza-se por um cacho reduzido, por vezes compacto, que possui bagos pequenos e uniformes e uma epiderme de cor heterogénea, predominantemente de tom negro-azul.
Apresenta uma produção regular e maturação média, contribuindo para o excelente equilíbrio entre ácidos, açúcar e taninos e boa cor dos vinhos, ao mesmo tempo que lhes confere aromas frutados e finos, que lembram morangos bem maduros, que ganham complexidade com o passar dos anos.
Tinta Roriz
A Tinta Roriz é uma das castas mais conhecidas da Península Ibérica. Originária de Espanha, onde toma o nome de "Tempranillo", é também conhecida por Aragonez.Bastante produtiva e com maturação média. O seu cacho é grande e aberto e contém bagos de tamanho heterogéneo, com forma ligeiramente achatada e epiderme medianamente grossa, de cor negro-azul com forte pruína.
Nos vinhos em que exista em boa percentagem, intensifica os aromas de fruta madura, dá muita cor e boas graduações alcoólicas. É notório o excelente equilíbrio marcado pela qualidade dos seus taninos, assim como o equilíbrio de corpo e acidez, daí resultando vinhos harmoniosos e muito elegantes, com elevado potencial de envelhecimento.
Jaen
A casta Jaen é cultivada em terras lusas desde a segunda metade do século XIX. É lícito pensar que tenha sido trazida por peregrinos regressados à pátria através dos caminhos de Santiago. Depois da praga da filoxera difundiu-se por toda a região do Dão, graças à sua boa produtividade e prematuridade, que permitiam a produção de vinhos de boa graduação e boa cor.O cacho nesta casta é de tamanho grande e compacto, com bagos médios, uniformes e arredondados, com epiderme pouco espessa negra-azul e com média pruína.
Os vinhos a que dá origem são elegantes, com teor alcoólico regular, intensos de cor e muito macios, dada a sua fraca acidez. Mas é o seu perfume intenso e delicado, lembrando um pouco a framboesa, que torna esta casta preciosa.
Brancas
Encruzado
O cultivo da casta Encruzado é praticamente exclusivo da zona do Dão, sendo provavelmente a melhor casta branca plantada na região. É utilizada na produção da maioria dos vinhos brancos através de vinhos de lote ou de vinhos monovarietais.O seu cacho é pequeno e medianamente compacto, os bagos são médios, heterogéneos e ligeiramente achatados e a sua epiderme é verde amarelada, com média pruína.
Os vinhos são de cor citrina, com bom teor alcoólico e uma grande delicadeza, elegância e complexidade aromática, com notas vegetais, florais e minerais. São finos e elegantes no sabor, denotando um notável equilíbrio álcool/ácidos. Possui elevado potencial para o envelhecimento surpreendendo pela sua frescura e persistência na boca.
É a casta mais equilibrada no Dão.
Malvasia Fina
É uma casta muito cosmopolita, difundida por quase todas as regiões vitícolas de Portugal. Encontra no Dão condições edafo-climáticas que lhe permitem expressar todas as suas potencialidades, sendo por isso a mais cultivada na região.O seu cacho é médio e frouxo e os bagos são pequenos, heterogéneos e com epiderme verde amarelada com média pruína. A maturação é precoce.
Possibilita a obtenção de vinhos de cor citrina, com aromas intensos, apesar de simples, dominados pelas tonalidades florais, com acidez equilibrada e um final elegante, ainda que de média persistência.
Possui um bom potencial para envelhecimento, com os seus vinhos a apresentar um “bouquet” extraordinário, passando a sua cor a amarelo palha, sendo de realçar a complexidade dos seus aromas associados a uma finura, equilíbrio e elegância.
Misturado com outras castas do Dão imprime-lhe a “tipicidade” e a personalidade própria dos vinhos brancos da região.
Cerceal-Branco
Esta casta apresenta, no Dão, características enológicas diferentes da de outras regiões vitícolas de Portugal.Trata-se da casta mais produtiva da região mas é considerada tardia. O cacho é médio e medianamente compacto e os bagos tem tamanho médio, são uniformes, arredondados, com epiderme verde amarelada e com média pruína.
Apresenta uma produção regular e possui teores medianos de açúcares e acidez elevada.
Dá origem a vinhos de cor citrina, aroma intenso e delicado a fruta, apresentando muita vivacidade no sabor, fruto de um desequilíbrio ácido que é característico desta casta. Entra geralmente misturada com outras castas conferindo-lhes acidez e aromas característicos.
Bical
A casta Bical é típica da região das Beiras, nomeadamente da zona da Bairrada e do Dão (onde também se denomina "Borrado das Moscas", devido às pequenas manchas castanhas que surgem nos bagos maduros).Conhecida pela sua grande precocidade, por isso os seus bagos conservam bastante acidez.
O seu cacho é de tamanho médio e frouxo e possui bagos relativamente pequenos, heterogéneos e com epiderme verde amarelada e média pruína.
Se as uvas forem vindimadas na altura certa, obtêm-se vinhos de cor citrina, aromas complexos com boa fruta, finos, relativamente secos e elegantes, com boa graduação alcoólica e baixa acidez.