O famoso escritor português galardoado com o prémio Nobel, José Saramago, declarou a sua paixão pela região do Dão ao afirmar: “Tudo nestas paragens são grandezas”. Orgulhando-se de uma história vitivinícola com mais de um milénio, o Dão é um dos melhores exemplos do empenho dos Portugueses na produção de vinhos tintos e brancos de excelente qualidade.


A Região Demarcada do Dão, com mais de um século (instituída em 1908), está localizada na Beira Alta, centro Norte de Portugal, e espalha-se por três distritos: Guarda, Coimbra e Viseu.

Dotada de excelentes condições geográficas para produção de vinhos, a região beneficia especialmente da “protecção” que lhe é oferecida por uma conjugação montanhosa que alberga as serras do Caramulo, Montemuro, Buçaco e Estrela protegendo as vinhas da influência de ventos. Apesar de densamente montanhosa, a altitude da zona sul [Dão] é menos elevada. É aí que encontramos os cerca de 20 mil hectares de vinhas do Dão, plantadas maioritariamente entre os 400 e 700 metros de altitude e desenvolvendo-se em solos xistosos, na zona sul da região, ou graníticos de pouca profundidade. Devido à sua localização geográfica, a Região Demarcada do Dão apresenta um clima sob influência simultânea dos ares do Atlântico, vindos do Oeste, e do interior da península, que chegam do Leste. Como consequência, a região experimenta verões secos e quentes e invernos chuvosos e frios. É no meio deste turbilhão de sensações (frio, calor, seco, chuvoso) que aqui nasce e se desenvolvem as duas castas mais nobres da região: A Touriga Nacional (tinto) e o Encruzado (branco).

O Dão é tradicionalmente uma região com muitos pequenos produtores que se dedicam ao cultivo da vinha e à feitura do vinho. Nos últimos anos assistiu-se a uma revolução no sistema de produção e comercialização dos vinhos da região, com a instalação no território da região demarcada de empresas e cooperativas que passaram, através da compra ou aluguer de terras, a cultivar e produzir localmente os seus vinhos, com marcas próprias. Além de uma crescente modernização das adegas, as vinhas passaram também por um processo de reestruturação com a aplicação de novas técnicas vinícolas e escolha de castas apropriadas para a região.

Além das já citadas Touriga Nacional e Encruzado, a região “trabalha” com uma grande variedade de castas, designadamente Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz (tintos) e Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho (brancos).

Como características essenciais, os tintos são encorpados, aromáticos e podem ganhar complexidade ao envelhecerem, inclusive em garrafa, e os brancos equilibrados, frutados e exibindo forte aroma.

Os 20 mil hectares de vinha, implantadas nos 376 mil hectares da região da Beira Alta, estão repartidos, chamemos-lhe assim, por sete sub-regiões: Besteiros, Silgueiros, Castendo, Terras de Senhorim, Terras de Azurara, Alva e Serra da Estrela.

Os vinhos do Dão são, hoje em dia, comercializados em mais de meia centena de países, espalhados pelos cinco continentes. De acordo com os dados disponíveis, os mercados mais representativos são a Dinamarca, Alemanha, França, Países Baixos, Reino Unido, Brasil, EUA, Macau, Noruega, Suíça, Canadá e Angola.

Como toda e qualquer produção de vinhos, esta está subordinada às condições meteorológicas verificadas anualmente. Dos cerca de 500 mil hectolitros de vinho produzidos na região da Beira Alta em anos normais, apenas 250 000 a 300 000 são susceptíveis de denominação Dão, repartidos por adegas cooperativas, centros de vinificação, produtores-engarrafadores, produtores, vinificadores.